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Educação

Pesquisa traça o panorama do ensino híbrido no ensino superior


Assim como acontece na educação básica, temos um cenário quase que idêntico no ensino superior quando se trata de uso de tecnologia e aulas online. Para que se torne uma cultura, o ensino híbrido demanda uma melhor oferta de cursos de formação para docentes lidarem com a tecnologia, inclusão digital e uma liderança disposta a flexibilizar tempos e espaços de aprendizagem. Esses são alguns achados de uma pesquisa realizada pelo Consórcio STHEM Brasil durante o 5º seminário “O Futuro do Ensino Superior”, realizado pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior.

A sondagem para compor o cenário da adoção do ensino híbrido contou com a participação de 39 das 64 instituições conveniadas ao STHEM Brasil. 94% dos respondentes disseram que o ensino híbrido será o futuro da educação. No entanto, essa visão a respeito do que seja ensino híbrido ainda não está 100% consolidada (outra similaridade com a educação básica). Segundo Fábio Reis, presidente do consórcio, a modalidade está na pauta da entidade e há uma preocupação para que escolas e comunidade se engajem na busca de consolidar o ensino híbrido.

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“Fizemos uma pesquisa interna para sentir em que momento estamos nessa discussão sobre ensino híbrido, e descobrimos que nem tudo é ensino híbrido, talvez ainda não estejamos fazendo ensino híbrido. É preciso provocar discussões entre as instituições para uma mudança no EAD (Ensino a Distância)”, disse.

Representantes de 11 estados diferentes participaram da pesquisa, que dá um traço sobre como estão sendo conduzidas as formas de ensinar, entre ensino híbrido. Entre as propostas adotadas, 28 instituições responderam que adotam o ensino híbrido, enquanto 11 delas disseram que não o fazem.

Entre os fatos identificados como críticos para o sucesso da abordagem, a formação de professores aparece com 42,9%, seguido de inclusão digital para educadores e alunos, incluindo o domínio das tecnologias (32,9%)

Sobre as propostas que adotam, a diretora da Faculdade Santo Ângelo (RS) Ana Valéria Sampaio de Almeida Reis apontou que “75% indicaram como estratégia a modelagem orientada tanto por disciplina quanto por competência, 86% responderam que integraram momentos presenciais e EAD em cada curso, módulo ou componente disciplinar e apenas 14% fizeram um mix entre presencial e EAD, independente da forma de operacionalização, devidamente concebido e descrito no Projeto Pedagógico do Curso”.

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Entre os fatos identificados como críticos para o sucesso da abordagem, a formação de professores aparece com 42,9%, seguido de inclusão digital para educadores e alunos, incluindo o domínio das tecnologias (32,9%), engajamento da comunidade escolar (31,8%) e  também cultura institucional (27,7%). A pesquisa ainda mostra dados de outros fatores levantados pelas lideranças como sendo centrais para o sucesso da implementação do ensino híbrido neste período.

Esses fatores de sucesso estão ligados também aos desafios dos docentes. Os pontos de maior percentual na pesquisa foram a capacitação, com 42,9% (que passa pelas metodologias e ferramentas adequadas), e mudança do que chamaram de zona de conforto. Também são citados a inclusão digital para professores e alunos em relação ao domínio de tecnologia (32,9%), cultura institucional (27,7%), planejamento e gestão integrada entre as áreas acadêmica, presencial e EAD (22,7%).

A diretora da Faculdade Santo Ângelo apontou que o estudo mostrou que “cada uma das instituições respondentes têm o seu próprio ritmo de mudança e implementação de um novo modelo de ensino e aprendizagem e, ao mesmo tempo, nas respostas também apareceram interpretações diferentes sobre o que se entende sobre ensino híbrido. Percebemos que há necessidade de aprofundamento do conceito e planejamento do que é o ensino híbrido e como se organiza, por meio das matrizes, do modelo e das práticas avaliativas”.

Quando o processo de avaliação da aprendizagem no modelo híbrido, é separado entre presencial e não presencial, o que se destaca no presencial é avaliação por projetos (69,2%), avaliação individual no modelo de questões objetivas e dissertativas (61,5%), avaliação em grupo (46,2%) e estudo de caso (3,9%). Já no não presencial, a avaliação individual, feita a partir de um ambiente virtual, assume um caráter mais tradicional. O modelo de questões objetivas e questões dissertativas fica com 75%, avaliação por projeto (14,3%), avaliação por rubrica e avaliação em grupo (ambos com 7,1%) e outros instrumentos (3,6%)”.

As conclusões da pesquisa destacam que a simples adoção de aulas online não significa a garantia de um ensino híbrido que esteja personalizado e adequado às competências dos estudantes e que o uso de ferramentas digitais nem sempre alcança uma apreensão dos conhecimentos.

 

 

 


Fonte Porvir.org

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