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Educação

Professora de inglês lança missões empreendedoras por mais interação e interdisciplinaridade


Minha área de atuação sempre foi a língua inglesa e, em 2020, recebi o convite da direção para ministrar empreendedorismo por ser uma professora que está sempre aprendendo e inovando. No início, não havia material didático e eu não tinha muita noção de como encontrar uma forma de chegar ao aluno, trazê-lo para esse universo e mostrar que estudar empreendedorismo iria fazer todo sentido em sua vida presente e futura.

Precisava mostrar que estudar empreendedorismo iria fazer todo sentido em sua vida presente e futura. Em diferentes situações, temos que demonstrar atitudes empreendedoras por meio do autoconhecimento, inteligência emocional e habilidades de educação financeira que são temas abordados durante as aulas.

Após muitas pesquisas e estudos, percebi que eles só aprenderiam colocando a mão na massa. Com a ajuda da professora substituta Annelise, conseguimos montar um planejamento em que trabalharíamos desde o autoconhecimento até a abertura de uma empresa.

Com a pandemia, tivemos que reinventar esse planejamento, pois não poderíamos mais sair a campo e trabalhar como, por exemplo, a conscientização com pequenas palestras sobre como impactar o território, que estavam programadas. Foi então que tive a ideia de utilizar as plataformas digitais para envolver os alunos e continuar o trabalho. E assim surgiram as missões empreendedoras.

Conseguimos montar um planejamento em que trabalharíamos desde o autoconhecimento até a abertura de uma empresa

Eu tiro uma semana por mês para trabalharmos as missões. A primeira etapa inclui a postagem, na plataforma utilizada pela escola, da missão junto a um vídeo explicando os principais objetivos e a relação do tema com o empreendedorismo. Na segunda etapa, comentamos o andamento das missões por meio das aulas online. Os encontros restantes são usados para tirar as dúvidas.

A primeira missão que fiz foi sobre inteligência emocional. Pedi aos estudantes que escolhessem um amigo e dissessem três coisas positivas e três coisas que poderiam ser melhoradas em suas atitudes. Aproveitei esse contexto para apresentar um vocabulário em inglês utilizando mapa mental.

Para cumprir as missões, os estudantes precisam gravar as interações e me enviar. O processo não serve apenas como aprendizado, mas como instrumento avaliativo. As atividades são sempre propostas de forma que os estudantes utilizem gravação de vídeo utilizando redes sociais.

Alguns são tímidos ou não gostam dessa exposição, então era proposto que fizesse utilizando fotografias, colagens ou desenho. Dessa maneira, os arquivos acabam sendo digitais, pois quem não utiliza as redes sociais tira foto da atividade e encaminha pela plataforma. As missões não servem apenas como aprendizado, mas como instrumento avaliativo. A notícia acabou se espalhando para os alunos que não estavam acessando as aulas e logo virou uma competição saudável.

Em uma ideia sugerida pelos próprios estudantes, criamos uma premiação para quem cumprisse o conjunto de missões do mês dentro do prazo e de forma caprichosa. Eles chamaram de “kit empreendedor”, expressão aceita após votação durante as aulas online.

Com o sucesso das aulas e envolvimento dos alunos, resolvi inserir o empreendedorismo sustentável no planejamento e trabalhar de forma interdisciplinar com componentes como geografia, história e língua portuguesa

Em 2021, veio o modelo híbrido e pude melhorar cada vez mais as aulas trazendo o inglês junto com o empreendedorismo, trabalhando design thinking e educação maker. É importante ressaltar através dessas aulas que o empreendedorismo está muito além de abrir um negócio e investir dinheiro. Envolve habilidade, criatividade, trabalho em equipe e impacto no objetivo de criarmos oportunidades e inovação para valorizar a atividade empreendedora.

Com o sucesso das aulas e envolvimento dos alunos, resolvi inserir o empreendedorismo sustentável no planejamento e trabalhar de forma interdisciplinar com componentes como geografia, história e língua portuguesa. Isso ajuda a promover discussões sobre problemas do próprio território como a fome, desigualdade social, a importância da separação do lixo e reciclagem e empoderamento feminino.

As missões só encerram no terceiro trimestre. No retorno das aulas, continuamos no mesmo formato, com a diferença que na escola existe todo suporte em relação a acesso a câmeras, internet mais rápida e interação mais próxima entre docente e estudante.

Meu objetivo como educadora sempre será transformar e impactar a vida dos alunos através da educação, seja ela dentro e fora da sala. O importante para mim é que esse aluno se torne um ser pensante e querendo fazer a diferença sempre.


Camila Herculano

Formada em Letras – Língua Inglesa, já atuou da educação infantil ao ensino médio. Atualmente está na área social do grupo Marista (PR) com os componentes de empreendedorismo e Língua Inglesa no fundamental 2, anos finais. Por onde passei, consegui deixar minha contribuição no meio educacional e acredito que a educação é a única ferramenta que pode mudar o mundo.

Fonte Porvir.org

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